quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Desenhos recorrentes

Como vocês vão perceber por aqui, meu tema recorrente é a figura feminina. Não existe um motivo claro. A questão é que sempre achei mais fácil desenhar a anatomia feminina do que a masculina. Acho que por motivos bem óbvios. Afinal vivo dentro de um corpo feminino desde que nasci.

Mas, de fato, tive pouco 'treino' de desenho com anatomia masculina. De todas as aulas de modelo vivo que fiz, apenas duas foram com homens, sendo uma delas com um cara que tinha anatomia de HQ (nunca vi tanto músculo em uma pessoa só) e outra com um cara mais normal que nos meus desenhos virou tritão, sátiro, minotauro e toda a sorte de criaturas mitológicas que me lembrei na hora.

Me faz falta essa vivência de modelo vivo, pois é essencial para você adquirir noção de volume, gravidade, etc, etc, etc. Para quem curte o bom e velho desenho figurativo, essas noções são importantes.

Outra coisa que me irritava é que todos os modelos eram 'sarados'. Isso limita a compreensão do que é o corpo humano. Gordurinha localizada para quem quer aprimorar o traço é coisa de Deus! Quanto mais gravidade o desenho apresenta, mais natural ele fica!

Anyway, a questão do fato de eu desenhar mulheres, não se resume à falta de treino, porque, até aí, uma foto poderia muito bem quebrar o galho. Basicamente, as personagens que me vêm à cabeça e que querem sair pela ponta do grafite, são mulheres. Heroínas, Perpétuas, Deusas, seres mitológicos, simples garotas, enfim.

Arrisco-me a dizer que essas figuras saem da minha lapiseira, pois de alguma forma eu projeto algo de mim nelas. É simples e até banal de dizer, pois por mais figurativo que o desenho seja, ele é uma forma de expressão daquele que o está fazendo.

E isso me faz lembrar de uma frase do filme Prêt-a-Porter. Um dos personagens dizia: 'Os estilistas fazem roupas para apenas dois tipos de mulheres: ou eles fazem roupas para as mulheres que eles querem ter, ou eles fazem roupas para as mulheres que eles querem ser'. Em tempo, eu desenho as mulheres que quero ser, ou que de alguma forma, sou.

Sobre o desenho: Se eu gostaria de ser uma centaura (ou centaurette, como acabei de ver)? Claro que sim. De certa forma eu até já sou, que o diga meu ascendente em Sagitário que me habilita a dar alguns coices por aí, sempre que necessário. De qualquer forma, a primeira imagem forte que eu tenho de centauros é aquela do filme Fantasia (sim, aquele mesmo do Mickey vestido de mago). Uma das histórias acontecia no Monte Olimpo ao som da Sinfonia Pastoral de Beethoven e dentre as criaturas mostradas na animação os centauros tinham grande participação. Quem não viu, veja. Quem já viu, vale a pena rever.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O preço que se paga

É inevitável começar o ano fazendo um balanço geral da vida em momentos passados e desejar coisas melhores para o futuro. Mas alguém já se perguntou a respeito das coisas que não podemos mudar?

Sim, diz a frase: 'Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é', e acredito que cada um aqui saiba muito bem como é duro manter a pose em determinadas situações. Que atire a primeira pedra aquela que nunca se livrou de um salto agulha no meio de uma festa, para dançar com os pés no chão, não importando quão nojento estivesse o mesmo. E isso vale também para todo mundo que desempenha um papel. O chefe, o executivo, o pai, a workaholic-dona-de-casa-mãe, os superstars, as celebridades, eu, vc.

O ponto onde estou querendo chegar é: uma hora, todo mundo desaba. Não importa quão auto-suficiente seja a pessoa, uma hora o chão simplesmente desaparece sob os seus pés. Uma hora, todo mundo precisa de colo. E o que acontece quando vc precisa de alguém e olha em volta?

Simplesmente descobre que vai continuar se esforçando para ser auto-suficiente porque não há ninguém por perto. É impressionante que no meio de bilhões de pessoas, cada indivíduo tenha se tornado uma ilha e que a noção de calor humano tenha se limitado ao número de parceiros que cada um consiga ter em uma noite.

Acredito que todo mundo já tenha passado por dias bem miseráveis e que já tenha recebido um olhar de um grande amigo que dizia apenas: 'Você supera'. E sei também a vontade que dá de responder: 'Puta que o pariu, eu sei que supero depois, mas você por favor poderia me dar um abraço agora, quando não estou encontrando forças nem para me manter em pé?'. O preço que se paga pela individualidade exacerbada, é causar a impressão nos outros de que não precisamos de ninguém, nunca.

Em tempo, sou completamente contra a dependência. Temos de ser auto-suficientes sim, temos de resolver os nossos problemas por nossa conta e risco, etc, etc, etc. Mas não podemos nos esquecer de que somos seres humanos, que estamos cercados de outros seres humanos e precisamos nos sentir amados (nem que seja de vez em quando), como qualquer ser humano precisa.

Sei lá. Nos tempos em que vivemos, parece que ter essa 'noção de humanidade' é a única coisa que realmente importa.

Sobre o desenho: Não é nada demais. Peguei uma foto minha, onde estava com cara de 'camafeu' e resolvi fazer o desenho. Quando eu me animar, pretendo colocar uma moldura em volta e deixá-lo com mais cara de Art Nouveau / Mucha. Em tempo: apesar de ser baseado em uma foto minha, definitivamente não sou eu no desenho e a intenção nunca foi essa.

O início

Não tenho muito o que falar sobre o que é este blog.

Acho que estou criando-o para me tornar um pouco mais disciplinada. Tenho de voltar a fazer coisas de que gosto. E basicamente gosto de escrever e desenhar. Ultimamente não tenho feito muito de nenhum dos dois. Desenhar bem menos do que escrever. Começarei me obrigando a postar um desenho com qualquer texto que eu escreva. Vai me obrigar a me manter na ativa.

Não tenho interesse de que ninguém o veja. No momento, até prefiro que ele seja um quartinho secreto se é que isso é possível na Internet. Mas se alguém o encontrar, trate-o com carinho.

Sobre o nome: Pensei inicialmente em batizá-lo de Dark Side Of The Moon, mas esse não é um blog para expor meu dark side, especificamente. Lógico, todos têm dias ruins e normalmente, para mim, a necessidade de escrever vem com esses dias, mas não quero restringir esse espaço de nenhuma forma. Por isso, é um blog que vai mostrar todas as facetas da lua. Dias bons, ruins, nublados, chuvosos, com calor insuportável, sem nada especial.

Para um início, acho que é só. Quebro uma garrafa de champanhe na CPU e declaro inaugurado o blog, desejando que ele seja especial de alguma forma.

Sobre os desenhos: Bem, faculdade é uma máquina de fazer doidos. E eu passei por isso DUAS vezes. Graças aos céus que existem cadernos, lapiseiras e o ócio criativo durante as aulas. Nessa época, as perpétuas acima (Morte e Delírio) eram temas recorrentes dos cantinhos rabiscados nos meus cadernos. Eu tinha um outro desenho da Morte que gostava muito mais, mas o caderno onde ele estava, sumiu. Espero um dia reencontrá-lo.